Agricultura Tropical

Cana-de-açúcar e energia limpa: a agricultura brasileira como protagonista

Autor: Croplife
18/06/2026

Cana-de-açúcar e energia limpa: a agricultura brasileira como protagonista

A agricultura tropical não é apenas uma fonte de alimentos e fibras, ela também ocupa um papel central na segurança energética. Dados do Observatório Bioeconomia, publicado em 2025 pela Fundação Getulio Vargas (FGV), apontam que os derivados da cana-de-açúcar correspondem a cerca de 17% da matriz energética do Brasil atual. Esse percentual abrange o abastecimento de residências, fábricas, comércios e de automóveis. 

Graças ao investimento da ciência adaptada ao clima tropical, usinas brasileiras aproveitam a matéria-prima por inteiro: o caldo da cana se transforma em açúcar ou etanol, enquanto o bagaço e a palha são queimados em caldeiras de alta pressão. Esse calor gera vapor, que movimenta turbinas e cria bioeletricidade, garantindo uma economia circular. 

O papel do agronegócio na energia limpa

  • Quase metade da matriz energética brasileira vem de fontes renováveis – um montante três vezes superior à média global, que é de apenas 15%. 
  • 60% da energia renovável brasileira está atrelada ao agronegócio. 
  • A biomassa da cana-de-açúcar lidera o ranking das matérias-primas e corresponde a 17% do total do país. Entre os demais insumos utilizados estão carvão vegetal, lixívia, óleos vegetais e outras biomassas. 

Integração e sustentabilidade

A integração das cadeias produtivas de alimentos e de bioenergia gera ganhos recíprocos no contexto da agricultura tropical. Além de favorecer o desenvolvimento de negócios sustentáveis, cria novos mercados. Sem a contribuição da agricultura, o Brasil teria apenas 20% da sua energia limpa e se aproximaria da média dos demais países. 

Nos combustíveis, a Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio) promove a certificação da produção, o que garante a legitimidade dos processos. As biomassas devem atender a critérios de elegibilidade ambiental, que incluem o desmatamento zero, a rastreabilidade e medição de indicadores de sustentabilidade para o sistema produtivo. 

Rumo às emissões negativas: BECCS e biochar

O futuro da cana-de-açúcar aponta para o conceito de emissão negativa. Estudos recentes mostram que o uso combinado da tecnologia BECCS (Bioenergy with Carbon Capture and Storage) com o biochar (carvão vegetal aplicado ao solo) pode reduzir a intensidade de carbono do etanol. Na prática, isso significa que o etanol brasileiro tem o potencial de remover mais carbono da atmosfera do que emite em todo o seu ciclo de vida. 

A cana-de-açúcar prova que a agricultura tropical é a chave para o Brasil ser líder em inovação e ciência agrícola global, beneficiando seus ecossistemas e oferecendo aos demais países soluções sustentáveis para a indústria e para o transporte.

Referências: 

RODRIGUES, L. et al. Agronegócio Brasileiro Garante 60% da Energia Renovável.

Observatório de Conhecimento e Inovação em Bioeconomia, Fundação Getúlio Vargas – FGV, São Paulo, SP, Brasil. Disponível no link: https://agro.fgv.br/observatorio-de-bioeconomia/publicacoes.

CROPLIFE BRASIL; INSTITUTO INTERAMERICANO DE COOPERAÇÃO PARA A AGRICULTURA (IICA). Caminhos do Agro: Inovação pelo Clima. Nota Conceitual. Brasília: IICA Brasil, 2025.